Brasília – que tal ser apenas a Capital?

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Com os escândalos em multiplicação pelo País, coloca-se em xeque muito das podres estruturas institucionais nacionais, que só não caíram ainda graças às honrosas exceções pessoais, gente que promove esforços para cumprir o genuíno papel do Serviço Público, com respeito aos recursos que são da Nação. Um dos aspectos que se relaciona com essa rápida análise de uma frase, é a estranha condição de “estado membro” do Distrito Federal, sede da Capital da República.

Brasília é apenas Brasília. O Distrito Federal deveria ser rediscutido em termos de território, uma vez que as chamadas cidades-satélites já deveriam desligar-se dessa condição, em face da vida própria que praticamente todas têm. Deveriam pertencer ao Estado de Goiás.

O Distrito Federal deveria assumir a exata condição de “distrito federal”, com regras diferenciadas para a sua existência como sede da capital do País, com executivos da sua administração indicados e controlados diretamente pelo Palácio do Planalto, ou, no mínimo, pelo Congresso Nacional, como um departamento especializado. Não se deveria aplicar nenhuma “democracia” neste caso particular, pois a sede da nação não pode ser entregue à incerteza da política paroquial. Chega a soar ridícula quando se compreende a essência do que é uma Capital Federal, a discussão sobre “intervenção” federal em algo que é... federal!

Brasília é e deveria ser apenas Brasília. Sem “deputados distritais”, sem “governadores distritais eleitos pelo povo”, pois a sede do Governo de uma Nação é assunto de Segurança Nacional, e não pode chegar ao ponto que chegou, ao achincalhe provocado por ações de políticos e gente guindada ao poder executivo, disputando cargos e comissões, obras superfaturadas, e o comando daquilo que deveria ser comandado pelo olho estratégico dos que têm responsabilidade pelos destinos da Nação.

O Distrito Federal jamais poderia admitir a proliferação de cidades no seu entorno, a maioria com populações que migraram em busca de melhores condições de vida de todos os cantos do País, como se o DF fosse um Eldorado. Talvez seja realmente para o funcionalismo público federal, mas força-se uma reflexão para que se obtenham respostas sobre o que aconteceu, como se chegou ao desvirtuamento daquilo que deveria ser uma capital federal e não um conglomerado de populações dependentes das benesses do Governo Central.

Em uma nação que deseja começar a sanear suas estruturas, rever a condição de Brasília como Capital Federal considerando sua situação estratégica, sua natureza política e administrativa, é um bom ponto de partida. Sem dúvida, um tema polêmico, restando saber o que tem mais força, se a democracia na capital federal, ou se a metástase nacional da corrupção explodindo na capital federal. Quando se consideram causas, as respostas certas surgem.

Editorial do IF

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