Marcelo Coutinho discute o impacto da internet na eleição de 2010.
Marcelo Coutinho discute o impacto da internet na eleição de 2010.
O Congresso se prepara para votar um projeto de lei regulamentando o uso das rede na campanha eleitoral de 2010. Não sei quem vai ganhar a eleição, mas sei que a Internet vai estar no centro das polêmicas da propaganda política. E que a televisão vai continuar sendo o principal fator de decisão do voto para a maioria da população.
Saiba mais: > Entenda proposta que regula a web na eleição > Nova lei eleitoral é aprovada na Câmara > Lei abre rede social, mas restringe publicidade > Manuela D´Ávila defende internet nas eleições
Os motivos para esta afirmação aparentemente contraditória estão no fato de que embora a rede cubra apenas 30% do eleitorado (contra praticamente 100% da TV), sua influência é maior entre os mais engajados e os chamados “formadores de opinião”. Em estudos que realizamos para a Escola Superior de Propaganda e Marketing, em 2006, verificamos que eram exatamente os eleitores com envolvimento acima da média que mais ativamente participavam das comunidades sobre os principais candidatos na rede social Orkut, resultado similar ao observado nas campanhas americanas até aquele momento.
Novo levantamento da ESPM realizado em 2008, desta vez em parceria com o Ibope Inteligência, mostrou que a rede foi o principal fator de decisão do voto para 5% dos eleitores paulistanos - número que pode fazer a diferença em uma disputa apertada. E entre os mais jovens, esse percentual dobrou para 10%, chegando a 12% entre os que possuem nível superior.
As três principais teorias sobre o comportamento eleitoral (sociológica, sócio-psicológica e escolha racional) mostram que é justamente este tipo de eleitor que tende a conversar mais sobre as eleições dentro de sua rede social, este sim um importante fator de decisão. No conjunto dos municípios brasileiros, cerca de 30% dos eleitores citaram a conversas com amigos e conhecidos como o principal fonte de informação na decisão do voto em 2008 (veja uma análise mais completa em artigo que será publicado em breve na Revista de Sociologia e Política).
Outros levantamentos realizados nos Estados Unidos e na Europa mostram que o impacto da rede sobre o resultado eleitoral é fruto de três fatores: número de eleitores com acesso, grau de interesse na eleição e grau de interesse dos políticos em utilizar o meio.
O número de eleitores com acesso cresce a cada eleição. Nos grandes centros urbanos, ele já atinge 60% dos eleitores mais jovens, de acordo com levantamentos da IPSOS-Marplan divulgados pelo UOL. Já o interesse dos candidatos na Web ganhou força depois da eleição de Obama e da crescente utilização das redes sociais digitais em confrontos políticos, como vimos recentemente no Irã, em Honduras e na China.
Resta a questão do grau de interesse que as eleições despertam. Mantida a legislação atual, teremos candidatos que ainda não ocuparam o cargo de presidente da República, o que deve acirrar a disputa. Neste caso, toda forma de propaganda de difícil regulamentação deverá ser um terreno fértil para a propaganda negativa, colocando a rede no centro das polêmicas. Entretanto, deverão fracassar tentativas de regulamentação através de mecanismos que a equiparem com outros meios de comunicação, como as propostas atualmente discutidas.
Discurso não funciona na rede (como muitas empresas já descobriram), mas diálogos sim. Resta saber se os políticos estão dispostos a ouvir...
Marcelo Coutinho é consultor do Grupo IBOPE, professor de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo FGV-SP) e de mestrado da Fundação Cásper Líbero. E-mail: marcelo.coutinho@post.harvard.edu
Indicar a um amigo!
Deixe um Comentário!
Enquete
Tempo
Politicos Brasileiros - Todos os Direitos Reservados (2010)